Recentemente fiz uma viagem para um dos lugares mais incríveis que já estive: o Deserto do Atacama.

Pela primeira vez num lugar deserto e misterioso, reparei que por todo o caminho havia muitos montinhos de pedra, como se fossem pirâmides de pedras de vários tamanhos.

Perguntamos ao guia local o que eram e ele nos explicou que eram apachetas.

Apachetas eram montes de pedras que os povos indígenas dos Andes construíam por dois motivos:

1º para marcar e sinalizar o caminho no deserto.

2º eram altares sagrados construídos para os deuses incas.

Além de marcar geograficamente o caminho, a apacheta possuía um significado simbólico: uma orientação espiritual, um local sagrado de descanso para outros viajantes do deserto, onde eram deixadas oferendas para seus ancestrais pedindo boa sorte no caminho, proteção e uma boa colheita e agradecendo à Pachamama (mãe terra) por cuidar tão bem deles.

Os atacamenhos mantiveram a tradição e os montinhos de pedras podem ser vistos por todo o deserto.

Achei muito inspirador e me fez pensar… O que estamos dando em troca ao Universo por ele estar cuidando de nós?

Nossa vida é tão sagrada e maravilhosa, mas passamos a maior parte do tempo achando que a vida nos deve algo.

Não seria o contrário?

Para construir uma apacheta não basta simplesmente colocar as pedras umas sobre as outras.

O viajante colhe a pedra em algum lugar do caminho e no ato de empilhar é preciso reflexão, organização e harmonia para o monte não desabar.

É preciso colocar a pedra certa para o equilíbrio final. Assim como a vida, não acha?

Você está montando “apachetas” em sua vida?

Se a vida for uma grande viagem, que possamos parar e refletir, construir nossas apachetas simbólicas, pedindo proteção e saúde, agradecendo ao Universo pela nossa vida tão sagrada e marcando nosso caminho, para sempre saber como voltar para nós mesmos.

Como diz um provérbio Inca: “Na vida há 3 caminhos: o certo, o errado e o do coração. O certo nem sempre é o certo. O errado nem sempre é errado. Mas o do coração vai ser sempre o do coração”.

Boa viagem

Este post tem 2 comentários

  1. SILVYO RIVIERI TRINDADE

    Show de texto….muito legal

  2. Lucila R.

    Linda reflexão. Eu também me fiz essa pergunta em uma viagem pelo norte da Argentina quando vi várias apachetas. Hoje vejo que essa tradição está espalhada pelo mundo afora, mas poucos sabem o seu significado real.

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