Há algum tempo atrás eu era o tipo de pessoa que chegava em casa e enquanto fazia as atividades rotineiras precisava ter algo ligado fazendo “barulho” perto de mim, era estranho ficar no silêncio ensurdecedor dos meus próprios pensamentos, da minha própria voz, era estranho lidar comigo mesma.

Mas é claro que eu não sabia que esses eram os motivos de ser estranho, eu apenas ligava a TV e precisava escutar algo por ali.

Hoje vejo como era difícil encarar a mim mesma.

O fato é que o silêncio, além de tudo, nos coloca frente a frente com a nossa verdade, e ela nem sempre é agradável.

Com o silêncio acessamos uma dimensão mais profunda do nosso ser, acessamos a paz ou a tempestade que é a essência de cada um.

Com o silêncio, mais cedo ou mais tarde, aprendemos a nos ouvir. E essa autodescoberta pode ser muito reveladora.

Comecei a praticar o silêncio quando iniciei a meditação. Tarefa difícil, pois a meditação não é algo que conquistamos com esforço, ela simplesmente vem e se instala. Reconhece-la é algo muito sutil, mas com uma força gigantesca.

Quando então eu quis conhecer um pouco mais do que essa experiência poderia me proporcionar, eu percebi que muitas respostas que eu procurava ao longo da vida estavam no silêncio que eu não fazia.

Com a rotina e a correria do nosso dia a dia, entramos num ritmo louco, que nos faz viver no automático e nem mesmo sabemos às vezes pelo que estamos lutando ou o que estamos buscando. A visão fica turva, o entendimento das coisas distorcido e quantas tolices somos capazes de falar e fazer por não estar em contato profundo com a gente mesmo.

Quantos benefícios podemos encontrar quando escolhemos silenciar ao invés de reclamar, silenciar ao invés de dar um palpite na vida alheia e silenciar ao invés de retrucar uma afronta nas experiências do dia.

Silenciar, silenciar e silenciar. Eis o remédio que eu acredito ser o mais eficaz contra arrependimentos e desafetos na vida.

Há quem confunda esse silêncio com solidão, apatia, passividade demais ou abandono, mas a realidade é que somente vivendo essa experiência sabemos do que estamos falando.

Hoje chego em casa e me pego em intensos momentos de não ouvir um som sequer por lá, a não ser o meu, o som da minha respiração, que antes eu nem era capaz de reconhecer.

Os pensamentos conturbados, a mente “falante” ainda existem sim em mim, mas eu aprendi a aceita-los e a deixá-los ir embora também. Eu não me identifico tanto com eles.

Hoje eu descobri que não ter a necessidade real de retrucar algo que vem de fora ou reagir, porque dentro de você existe algo bem resolvido/entendido, é a maior liberdade que alguém pode ter.

Posso não conseguir sempre, mas o meu ser se alegra a cada silêncio que vence batalhas dentro de mim.

E esse silêncio é o que eu desejo para você.

Não conseguiu fazer silêncio hoje? Escolha de novo!

Nós sempre podemos tentar.

Namastê!

O silêncio que habita em mim honra o silêncio que habita em você.

Deixe uma resposta